
Edy Fernandes: Vida e Arte

Quando a inspiração se alia ao talento, o resultado se transforma numa obra de arte. Para um Artista Plástico, a sensibilidade é a mola propulsora de sua criação. Na vida de Edy Fernandes, a vocação começou a despontar aos 14 anos numa manhã de sol. “Eu andava pelo sítio de minha mãe quando vi umas frutinhas pretas diferentes do que eu já havia visto. Percebi que elas soltavam uma espécie de tinta roxa, sujei os meus dedos, peguei um pedaço de madeira e fiz um arranjo de flores. Sem saber, eu pintava o meu primeiro quadro”.
A curiosidade e inspiração levaram Edy a descobrir que podia e gostava de pintar. Naturalmente, ela usou de outra ferramenta importante para um Artista Plástico: a criatividade. “Todo profissional que quer se diferenciar no mercado, precisa saber criar quando a situação é adversa ou quando não existem recursos suficientes. Morando no interior, eu não tinha acesso a nenhum recurso que me auxiliasse a desenvolver meu dom. Eu usava, então, tudo o que via à frente e pintava com maquiagem, batom, esmalte, carvão e grama”.
1993 foi um ano de mudanças radicais para Edy Fernandes. Com apenas 17 anos, ela deixava o pequeno município de Bananeiras, interior da Paraíba. Foi para São Paulo passear e ficou. Na terra da garoa, começou a construir sua história com determinação. “Foram anos de muita simplicidade e alegria. A pintura ainda não era um ofício, mas eu exercitava meu dom sempre que podia. Eu queria trabalhar para me sustentar e investir em meus sonhos.” Para Edy, ter os pés no chão, sabendo manter o foco é essencial. “O fato de atuar em outras áreas não me desestimulou. Trabalhei para me sustentar e fui, aos poucos, investindo na pintura. Não me precipitei em momento algum, fui trabalhando e evoluindo na arte, à medida que avançava. Se você quer crescer na sua profissão tem que ter sabedoria para dar os passos certos, sem precipitação, evoluindo sem queimar etapas de aprendizado”.
A arte fluiu em sua vida naturalmente. Curiosa e esforçada, Edy aprendeu o ofício de pintar sozinha. “Posso me considerar uma autodidata. Fui aprendendo a pintar experimentando, seguindo meu instinto e aperfeiçoando as pinceladas a cada tela concluída”, conta. Em 25 anos de profissão, apenas durante três meses frequentou um curso de pintura. Mas o talento se sobressaiu e a aluna acabou virando mestre. “Como eu queria muito me aperfeiçoar em figuras humanas, frequentei um Curso em São Paulo para aprender as técnicas desse estilo. No terceiro mês de curso, a escola me convidou para dar aulas. Foi uma grande honra para mim. A partir daí nunca mais deixei de dar aula. Hoje ensino em meu ateliê e atuar como professora transformou-se também em grande paixão”.
A recompensa pelo esforço e dedicação viria, sem que Edy esperasse, através de prêmios. Em 2006, a tela “Móisés na Sarça Ardente” foi premiada duas vezes como melhor obra no Salão de Arte do Espaço Nova Era Cultural Aricanduva e na cidade de Itaquaquecetuba, em evento cultural realizado pela Sub Prefeitura municipal. Em 2009, foi a vez da tela intitulada “Negra Africana” ganhadora como melhor obra em 2009, no Atrium Salão de Artes Cultural “Shopping Central Plaza” – SP e Medalha de Ouro no Espaço Nova Era Cultural Aricanduva. As duas telas concorreram entre artistas de vários países.
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As premiações apenas confirmaram o que é obvio para todos aqueles que conhecem as pinturas de Edy Fernandes: sua maestria ao criar telas no estilo acadêmico. “Procuro pintar com o máximo de realismo possível. Isso é o que caracteriza o acadêmico. Gosto de provocar a sensação de que a pintura está saindo da tela. Os detalhes me fascinam”. Para a artista, apesar do talento nato, tudo isso só foi possível porque não houve acomodação. “Nenhum profissional, por mais talentoso que seja, vai muito longe se não tiver humildade suficiente para buscar sempre o aperfeiçoamento. Mesmo sendo autodidata, nunca me acomodei. Procurei e procuro estar sempre atenta para o novo. Se não houver esta preocupação, você estaciona e para.
O sucesso com as figuras humanas acadêmicas não delimitou as obras de Edy Fernandes. Eclética e versátil, ela produz telas de todos estilos, do acadêmico ao abstrato, passando pelos florais e paisagismo, e acompanhando as tendências. Segundo ela, uma postura importante para a sobrevivência do artista nos dias de hoje “Manter-se no mercado é preocupação de todo profissional. Por mais que você goste de um determinado estilo, é importante estar atento e pronto para atender a demanda, acompanhando as tendências e necessidades do mercado. Agindo com sabedoria e versatilidade, você, aos poucos, vai conquistando o seu espaço”.
Edy Fernandes é Artista Plástica, professora de pintura e restauradora.
Texto biográfico publicado no Livro "Lider Extraordinário", lançado pela Editora Anjo em setembro de 2018, na Livraria Cultura, SP.
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